Compreender para que serve a diretiva MIF 2 para os mercados financeiros europeus

Quando você faz um pedido de compra de uma ação ou de um fundo, seu banco fornece um extrato detalhado das taxas, pede que você preencha um questionário sobre seus conhecimentos financeiros e o orienta para produtos adequados ao seu perfil. Essas práticas, que se tornaram habituais, decorrem diretamente da diretiva MIF 2, um texto europeu que redesenhou as regras do jogo nos mercados financeiros.

Transparência das taxas e custos de transação: o que a MIF 2 muda concretamente

Antes da MIF 2, um investidor particular frequentemente tinha dificuldade em saber quanto realmente custava um investimento. As taxas de gestão, as comissões de intermediação e os custos de transação estavam dispersos em vários documentos, às vezes redigidos em uma linguagem pouco acessível.

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A diretiva agora impõe que os prestadores de serviços de investimento apresentem todos os custos e taxas associados a um produto financeiro, antes e depois da subscrição. O objetivo: permitir que o cliente compare as ofertas com base idêntica. Você recebe um resumo anual que detalha, euro por euro, o que seu investimento lhe custou.

Para entender bem para que serve a diretiva MIF 2, é necessário compreender essa lógica de transparência total: cada comissão recebida por um intermediário deve ser identificada e justificada ao cliente.

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Essa obrigação também se aplica às remunerações que os distribuidores recebem das sociedades de gestão (os “inducements”). O consultor bancário que lhe propõe um fundo deve indicar se ele recebe uma retrocessão sobre esse produto e em que nível.

Responsável pela conformidade feminina apresentando esquemas regulatórios relacionados à diretiva MIF 2 em uma tabela de vidro em uma sala de reunião profissional

Questionário do investidor e adequação dos produtos financeiros

Você já percebeu que seu banco faz perguntas sobre sua renda, seu patrimônio, sua experiência na bolsa e sua tolerância ao risco? Este questionário do investidor é uma obrigação direta da MIF 2.

A diretiva distingue dois níveis de avaliação de acordo com o serviço prestado:

  • O teste de adequação se aplica quando um consultor recomenda um produto. Ele verifica se o instrumento proposto corresponde aos seus objetivos, sua situação financeira e seus conhecimentos. Se o produto não for adequado, o prestador não pode recomendá-lo.
  • O teste de caráter apropriado intervém para os serviços de execução simples (você faz um pedido sem aconselhamento). O banco verifica se você entende os riscos do produto. Se não entender, ele o avisa, mas o pedido ainda pode ser executado.
  • Desde 2 de agosto de 2022, as preferências ESG do cliente devem ser integradas na avaliação de adequação. O consultor deve perguntar se você deseja direcionar seus investimentos para investimentos sustentáveis (critérios ambientais, sociais e de governança).

Esse último ponto modificou o andamento concreto do aconselhamento em investimento. O questionário não se concentra mais apenas no risco financeiro, mas também nas convicções do cliente em relação à sustentabilidade.

Execução de ordens e plataformas de negociação sob a MIF 2

A primeira versão da diretiva (MIF 1, em vigor desde 2007) havia encerrado o monopólio das bolsas tradicionais na execução de ordens de ações. A MIF 2 prolonga essa lógica e a estende a outras categorias de instrumentos financeiros, incluindo obrigações e produtos derivados.

Três tipos de plataformas de negociação regulamentadas

A MIF 2 reconhece três categorias de locais de execução:

  • Os mercados regulamentados (as bolsas clássicas como a Euronext).
  • Os sistemas multilaterais de negociação (SMN), que funcionam como plataformas alternativas de conexão entre compradores e vendedores.
  • Os sistemas organizados de negociação (OTF), uma categoria criada pela MIF 2, dedicada a obrigações, produtos estruturados e derivados.

Essa classificação visa que toda transação em um instrumento financeiro passe por um local de negociação identificado e supervisionado. As empresas de investimento que executam ordens internamente (os internalizadores sistemáticos) também estão sujeitas a obrigações de transparência pré-negociação e pós-negociação.

Obrigação de melhor execução

Quando você faz um pedido, seu prestador deve obter o melhor resultado possível levando em conta o preço, o custo, a rapidez e a probabilidade de execução. Essa regra, chamada “best execution”, já existia sob a MIF 1, mas a MIF 2 impõe a documentação e a publicação de relatórios sobre a qualidade da execução obtida.

Dois especialistas financeiros discutindo relatórios de conformidade regulatória relacionados à diretiva MIF 2 em um escritório profissional com documentação jurídica

Governança de produtos e responsabilidade dos fabricantes de instrumentos financeiros

A MIF 2 introduz um mecanismo menos visível para o grande público, mas determinante: a governança de produtos. Cada fabricante de um instrumento financeiro (uma sociedade de gestão que cria um fundo, por exemplo) deve definir um “mercado-alvo”, ou seja, o perfil típico de investidor ao qual o produto se destina.

O distribuidor (o banco ou o corretor) deve então verificar se seus clientes correspondem a esse mercado-alvo antes de lhes oferecer o produto. Esse duplo filtro, fabricante e depois distribuidor, reduz o risco de que um produto complexo seja vendido a um poupador que não compreenda os mecanismos.

Esse dispositivo também tem um efeito sobre a concepção dos próprios produtos. Um fabricante que constata que seu instrumento está sendo regularmente vendido fora do mercado-alvo deve revisar sua estratégia de distribuição ou modificar o produto.

Diretiva MIF 2 e evoluções recentes: criptoativos e quadro ESMA

O escopo da MIF 2 não se limita mais aos instrumentos financeiros tradicionais. Análises recentes mostram que os derivados cripto e as ações tokenizadas agora se enquadram no quadro da MIF 2 quando são oferecidos a clientes da União Europeia. As plataformas que oferecem esses produtos devem obter uma licença MiFID II de um regulador nacional, licença que é então transferível nos 27 Estados membros.

Além disso, a MIF 2 serve como base para o quadro harmonizado de serviços de investimento e crowdfunding de investimento supervisionado pela ESMA (a autoridade europeia dos mercados financeiros). As exigências de transparência, governança e proteção dos investidores definidas pela diretiva se aplicam assim a um espectro cada vez mais amplo de atividades financeiras.

A diretiva MIF 2 não é um texto fixo. Suas emendas sucessivas, como a integração das preferências de sustentabilidade em 2022 e a extensão aos criptoativos estruturados, mostram que o quadro regulatório europeu se adapta aos novos usos dos mercados financeiros. Para um investidor particular, o resultado mais tangível continua sendo a clareza das taxas e a obrigação de cada intermediário de justificar suas recomendações.

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